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27 de jan de 2010

Palestra para Secretários de Escola - Atribuição de Aulas 2010

Olá a todos
Com o intuito de auxiliar os Secretários de Escola que irão participar pela primeira vez do processo inicial de atribuição de aulas, o Grupo SESP pela primeira vez realizará uma palestra sobre o assunto, com orientações básicas e dicas para os procedimentos que cabem ao Secretário.
Será de Secretário para Secretário, de maneira simples e direta, além de ser uma oportunidade para conhecer pessoas novas.
Não haverá custo algum, pedimos apenas a confirmação por e-mail para envio do material.
A palestra será apresentada em duas datas, uma neste sábado dia 30/01/2010 pela manhã e outra segunda-feira a noite, dia 01/02/2010.

Palestra de sábado:
Local: EE Professora Ivone da Silva de Oliveira - Poá, Zona Leste de SP
Travessa Pasteur, 70, Vila Júlia, Poá
a 10 minutos a pé da Estação Poá da CPTM, Linha 11 Coral
Horário: das 09:00 às 12:00 (no máximo)
Mapa:

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Se vier de carro ou de ônibus, entre em contato se precisar de maiores informações

 
Palestra de segunda-feira:
Local: EE Professora Benedita Ribas F. Siqueira
Rua José Tavares Siqueira, 198 - Tatuapé, São Paulo Capital
Próximo ao Metrô Carrão, travessa da Av. Celso Garcia, alt do nº 4.500
Horário: das 18:00 às 21:00 (no máximo)
Mapa:

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Fácil acesso por várias linhas de ônibus também.
Divulgue para seus amigos, o foco da palestra é para Secretários Ingressantes e AOE Designados, que nunca participaram do processo inicial de atribuição de aulas.
Estamos analisando possibilidades de transmitir ao vivo pela internet, via Skype ou outros comunicadores. Toda ajuda é bem vinda.
Favor confirmar a presença via e-mail no superwillydj@gmail.com até sexta-feira a noite, dia 29/01/2010 para envio do material que será utilizado.
A palestra e o material têm caráter apenas informativo.

13 de jan de 2010

A Primeira Semana do ano: o Limite do caos e da vida humana

Até onde vai a dedicação de um funcionário? Até onde vai o “cumprimento do dever” e o gozar dos direitos? Qual é a linha que separa o certo do errado, o são do insano, a ética da falta de escrúpulos?
A SEE com certeza não se importa com nada disso. Enfrentamos uma primeira semana do ano que nenhum ser humano em sã consciência deveria admitir, mas fomos pressionados de maneira infernal, e com todas as adversidades alguns de nós conseguiram superar o “desafio” em tempo, outros chegaram perto, e outros se livraram graças aos direitos adquiridos pela remoção.

Não posso deixar de registrar minha indignação. Acompanhamos relatos de todo o estado, de pessoas trabalhando 12, 14 horas por dia, aos sábados e domingos, dormindo à base de calmantes, tomando remédios fortes contra dor, para cumprir um prazo ridículo para um serviço útil, mas com uma finalidade medíocre, de um governo idiota que se só pensa na eleição presidencial. E infelizmente, todo esse processo fez uma vítima. Uma colega de profissão, Ione, da DE Centro Oeste, com 30 anos de serviço, constrangida a ir à escola dentro do período de gozo de suas férias, devido ao elevado nível de stress por causa da pressão por parte da SEE, sofreu um infarto fulminante DENTRO DA ESCOLA, e veio a FALECER, FAZENDO A MERDA DA COLETA DE FREQUÊNCIA. E PRA QUE ISSO??? PRA MERDA DE UM PROFESSOR MEDÍOCRE TENTAR RECEBER 400 REAIS DE AUMENTO.

É Isso que vale uma vida? Um professor ter aumento de salário custa a vida de uma pessoa? Que governo é esse? Que Departamento de Recursos Humanos é esse??? Que Secretaria é essa, meu Deus? Como ficar indiferente diante disso? Claro que todos tem sua hora, não cabe a nós seres humanos determinar isso, não podemos determinar o limite da vida, mas o que fazemos durante ela.

Espero que o DRHU / SEE / Governo, sei lá quem, acorde pra ver que não somos escravos, somos seres humanos dignos e honrados, e não fantoches do circo deles.

11 de jan de 2010

Muito prazer! Sou secreOtário de escola…

Segue agora postagem do amigo Ricardo Marques, Secretário de Escola da DE Leste 5. Segue no fim da postagem o link da postagem original.

Muito prazer! Sou secreOtário de escola…

O governador de São Paulo resolveu dar aumento aos professores da rede estadual de acordo com o desempenho obtido em uma avaliação institucional a ser realizada pelos docentes. O decreto 55.217 de 21/12/2009 regulamentou o disposto na Lei Complementar 1097 de 27/10/2009 
Não quero ficar discutindo aqui neste espaço se o processo é legítimo ou não. A questão é o tratamento dado pelo DRHU para esta questão. De modo a viabilizar a antecipação do processo, o departamento determinou que as escolas estaduais deveriam providenciar uma coleta de dados sobre a freqüência dos docentes desde 1991. Isso (segundo eles) será necessário pois o sistema (nosso querido GDAE) só está com os dados consistidos a partir de 2002. Os anos anteriores estão armazenados em fita magnética.
Para a escola, o processo de coleta requer algumas tarefas. Consiste basicamente em fazer o levantamento das faltas do professor desde o ano de 1991 até o momento presente e inserir estas informações por meio de códigos no sistema GDAE.
Parece fácil, não é mesmo? Acredite… não é.
Em quase 20 anos, os professores normalmente passam por mais de uma escola. As fichas que controlam as freqüências em geral estão desarrumadas e incompletas. É um trabalho de decifrar e interpretar as informações. Em média, você gasta em torno de 1 hora para organizar e inserir as informações de UM ÚNICO professor.
Agora, vamos as contas…
Minha escola tem 59 professores entre efetivos e ocupantes de função atividade. Então, são aproximadamente 59 horas de trabalho. Vou arredondar para 60. Se eu trabalhasse meu horário normal de 8 horas diárias, eu levaria 7 dias e meio para esta tarefa (e eu teria que fazer somente isso). O e-mail com a determinação do DRHU chegou em 29/12/08, ou seja, no recesso escolar (isto é, a escola estava fechada). Assim, começamos a trabalhar a partir do dia 04/01 (primeiro dia útil).
O prazo para a conclusão da digitação era até 06/01…
Devo dizer, que além desta tarefa, o secretário cuida de outras coisas. No meu caso: digitação de notas, matrículas, atendimento aos professores e funcionários, organização dos documentos escolares, controle de folha de pagamento e outras pendências que surgem ao longo do dia.
Claro que não daria tempo…
Para ajudar, o sistema da PRODESP não aguentou o fluxo de informações. Congestionado, o sistema travou no dia 05 e o DRHU adiou o prazo de coleta para 07/01.
Ainda não daria tempo…
A instabilidade do sistema continuou no dia seguinte. E ainda eu tinha que cumprir o prazo de digitação de notas finais no ano letivo de 2009 (apenas 27 turmas, mas com tarjetas muito mal preenchidas). Com novo congestionamento, o DRHU prorrogou mais uma vez, desta vez para o dia 08/01.
Ainda assim, não daria tempo…
Aí na sexta-feira, o sistema caiu. Nada funcionava. Com isso, não digitei notas, não fiz folha de pagamento, não fiz a coleta.
E o DRHU adiou mais uma vez… para o sábado.
Sim, eu teria que trabalhar além das 40 horas semanais pelas quais sou pago. Sem receber nenhum adicional por isso. Engraçado que os professores recebem por serviços extraordinários (corrigir o SARESP por exemplo), mas nós secretários, não…
O sistema voltou… as 17h00 de sexta-feira. Aí minha diretora impôs minha ida à escola no sábado. Detalhe: na sexta-feira, fiquei até 23h00 na escola para tentar cumprir o prazo da digitação de notas. Esse eu cumpri… no dia seguinte.
Pois é… fui para escola. No sábado… e novamente fiquei até as 23h00. Digitei aquilo que pude.
E não… não consegui terminar.
Minha indignação é com o DRHU que simplesmente impôs um prazo descabido. Não levaram em conta a rotina de uma secretaria de escola, não levou em conta que seu próprio sistema não suportaria tamanha carga de informações e simplesmente jogou uma data.
Minha indignação é com as pessoas que sequer pisaram em uma secretaria e acham que somos máquinas e que temos todos os recursos disponíveis.
Minha indignação é com a SEE que acha que a escola só é feita de professores e alunos e esquece que existe um grupo administrativo responsável por gerir as atividades da escola. Não há valorização, não há reconhecimento, só há cobranças por resultados, muitas vezes impossíveis de serem cumpridos.
Minha indignação é com a Diretoria de Ensino que permaneceu obtusa a toda essa agitação. Não defendeu as necessidades das escolas e simplesmente repassou as informações do DRHU.
Minha indignação é com minha escola, com a diretoria… que se preocupou só com o fato de que isto mexerá no bolso dos professores, não se importanto nem um pouco com minha vida pessoal. Não se preocupou com minhas atividades no final de semana e impôs minha ida a escola.
E por que sou um secreOtário? Oras, muito simples: mesmo indignado com tudo isso, eu fui e me senti medíocre por não ter concluído satisfatoriamente meu trabalho, mesmo sabendo que o prazo não era viável.
E só um otário faz tudo isso, conscientemente mesmo sabendo que será prejudicado.

Desabafo de uma secretária de escola

Já publiquei no último post sobre a Coleta de Frequência, que tirou todo mundo do sério. Com a permissão dos autores, publico hoje dois posts de secretários de escola, falando sobre a mesma situação. A Citação da publicação original está no final da postagem. Segue o desabafo da amiga Carolina, da DE Leste4.

Desabafo de uma secretária de escola

A princípio, minha próxima publicação no blog seria mais um da série Solteira Desesperada e eu tinha me proposto a não escrever sobre meu trabalho atual enquanto estivesse lá, tinha a intenção de postar alguma coisa no estilo memórias. Mas aconteceram algumas coisas “um pouco atípicas” na última semana e estou realmente chateada com a situação como um todo, tendo apresentado inclusive sinais físicos do estresse causado, por isso decidi antecipar as tais memórias.

Sou secretária de escola há quase seis anos. Nesse período, passei por três escolas e nem sei mais com quantos diretores e professores já trabalhei. Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que não me vejo como uma coitada ou uma vítima, por isso peço ao leitor que se desarme, antes de criticar. Estou neste cargo por mérito próprio. Aos 18 anos, passei num concurso disputadíssimo, que cobrava um conteúdo extenso, inclusive com prova dissertativa. De fato, o salário é baixo, mas eu sabia quanto era quando assumi o cargo (o que eu não sabia era o tamanho da responsabilidade, da exigência e do nervoso atrelados a esse cargo, bem diferentes da ideia que se faz de um secretario de qualquer coisa). Sempre acreditei que propor soluções é melhor do que reclamar e o fiz quando tive a chance de participar de reuniões a esse respeito. Sempre trabalhei em escolas de periferia, mas eu também sabia o endereço delas quando escolhi a vaga. Vou todos os dias ao meu emprego para trabalhar e é isso que faço, não espero que se concretize aquela ideia de que funcionário público não faz nada e tenho verdadeiro horror a quem pensa assim. Valorizo muito as coisas boas que meu emprego me traz, como a estabilidade e todo quinto dia útil do mês meu salário estar na conta, o que é privilégio para poucos neste país.
Quando disse que essa semana foi atípica, estava me referindo a um serviço de digitação/confirmação de frequência dos docentes a partir de 1990 até novembro passado. O tal serviço seria só mais uma rotina, não fosse o fato de ter sido passado às escolas no período de recesso, de haver um prazo ridiculamente mínimo para tanto (em geral, a digitação da frequência de um mês tem de 2 a 5 dias úteis de prazo, nesse caso, 239 meses ficaram com menos de 10 dias) e de o sistema onde a tal digitação devia ser feita não ter ficado aberto nem metade desse tempo. Foi uma semana de muito estresse por parte dos secretários e diretorias de ensino. Por outro lado, parecia que os responsáveis pelo sistema e pela requisição da tarefa estavam rindo da nossa cara. A última piada, após um dia e meio com a #*$@!%& da PRODESP fechada, foi o sistema ter sido reaberto na sexta-feira depois das 16h30min e de o prazo ter sido prorrogado somente até SÁBADO (o que foi avisado de última hora, de modo que muita gente nem ficou sabendo).
A tal digitação (quando o sistema ainda funcionava mais ou menos) gerou até abaixo-assinado por parte dos secretários, tamanha era a insanidade de esperar que um troço desses funcionasse nesse prazo. Confesso que me surpreendi um pouco, pois é comum ver as pessoas reclamarem de tudo de errado que acontece, mas poucas iniciativas para melhorar nossas condições, tanto é que vários secretários que abriram mão de seu sábado ensolarado com a família para ficar até à noite na escola a fim de cumprir o prazo. O detalhe é que nenhum secretário de escola ganha serviço extraordinário e a compensação dessas horas trabalhadas a mais, vai do bom-senso do diretor da unidade de cada um (o que muitas vezes deixa a desejar).
Tenho plena noção da importância do meu trabalho e sei que muita gente sai prejudicada se eu não o fizer bem feito, por isso me dedico ao máximo, realizo minhas tarefas com amor e da maneira mais correta possível.
Já trabalhei muitas vezes fora do meu horário de expediente (na verdade, faço isso sempre que julgo importante e sempre que, por razões minhas, eu considero que não dei conta do que tinha para fazer). Já entupi a sala da minha casa de históricos escolares em pleno feriado comprido e ainda ocupei minha família inteira com a conferência deles. Já usei o meu computador pessoal e a minha internet para trabalhar quando não tinha equipamento na escola. Já lotei meu carro novo de material de limpeza e outras quinquilharias que precisavam ser levadas para a escola. Já trabalhei muito nas minhas férias. Já me atrasei para um monte de aulas da faculdade porque não saí da escola no horário (e também já perdi outras tantas pelo mesmo motivo). Já fui ameaçada de morte por professor descontrolado. Já saí chorando da escola/ diretoria de ensino por conta de gente que se achou no direito de me humilhar porque sou uma simples secretária. Já incomodaram a minha avó (que tem 75 anos) com telefonemas incessantes porque não conseguiram me encontrar (fora do meu horário). Já fiz “entrega” de aluno passando mal. Já fiz doação de mobiliário para a escola. Já comprei muito material com meu próprio dinheiro para poder ter coisas um pouquinho melhores para trabalhar.
Já fiz (e continuo fazendo) uma série de coisas que não deveria, uma vez que não sou nem paga nem reconhecida para fazê-las. Mas nada disso parece absurdo porque é comum. Não sou a única, nem fui a primeira, muito menos serei a última a se submeter a isso, como se todos os “extras” estivessem discriminados no edital do concurso. E no fim das contas o que eu (e todos os meus colegas de cargo) ganho com isso?
Eu ganho a hostilidade de uma resposta atravessada “A digitação é até amanhã, sábado, às 22h00”, como se eu estivesse recebendo um favor por ter deixado de fazer meu trabalho e não o trabalho deixasse de estar lá para eu fazer. Eu ganho ter benefícios como uma “subclasse” dentro dos quadros da Secretaria da Educação, pois enquanto o professor tem um ALE (benefício por trabalhar em zonas de vulnerabilidade social/ difícil acesso) de 20% do salário, o meu é de 6%; enquanto o professor (que precisa de nível superior) sobe automaticamente do nível I para o IV ao concluir o mestrado (assim como para os professores primários, que antes só tinham o curso de magistério, ao concluir uma licenciatura), eu preciso esperar 5 anos para subir do nível I para o II com meu diploma de curso superior; enquanto a remoção dos docentes tem data certa para acontecer, a dos funcionários sai de surpresa de hoje para hoje, com 3 meses de atraso sobre a data prevista.
Eu ganho ter responsabilidade sobre toda a documentação de aluno que sai da escola, mais ser O RH (não ser parte do RH), mais ter de estar informada de todas as novidades legais e participar da maioria dos processos burocráticos de dentro da escola, e em troca ter um salário que não banca o sonho pequeno-burguês de uma pós-adolescente (leia-se a prestação de um apartamento, um carro popular, a cervejinha do fim de semana e a escova progressiva no fim do mês sem depender de ninguém para isso). Eu ganho cabelos brancos antes dos 20 anos (isso doeu). Eu ganho esperar ansiosamente pelo recesso do fim do ano porque é a única época em que realmente consigo descansar (com a escola fechada, ninguém vai me ligar e me tirar do meu sossego, o que não acontece nas faltas abonadas, férias, etc.).
Eu ganho ser tratada como palhaça pelo Governo do Estado e a Secretaria da Educação, que lançam as normas dos processos quando eles já estão ocorrendo (vide atribuição de aulas, que é só o acontecimento burocrático mais importante de todos, cuja resolução desse ano foi publicada no último dia 30/12, sendo que o processo começou com as inscrições em 14/10/09). Eu ganho dar meu máximo e, ainda assim, muitas vezes me sentir uma incompetente (e de vez em quando ser tida como tal, como para o professor que me pergunta em que dia ele volta na escola para a atribuição e eu respondo que não sei). Eu ganho me iludir que tudo vai melhorar, quando penso que finalmente alguém se importa com quem sustenta a operacionalização de tudo o que acontece na escola, e ser surpreendida por cronogramas não cumpridos e insanidades (como a tal da maldita digitação) que só podem ter sido propostas por gente que não tem a menor ideia de como a coisa se dará na prática. Eu ganho ser desrespeitada com o fato de ser a única peça do sistema que tem prazos a cumprir (eu tenho prazo para entregar meu trabalho, mas não há prazos de resposta, não há prazos para orientações e, muito menos, para o sistema funcionar). Eu ganho, além de organizar o trabalho dentro da secretaria, ainda ter de organizar o uso dos computadores, como quem coloca crianças numa fila.
É essa minha rotina. Os mesmos problemas se repetem a cada evento e parece que ninguém se importa. Sei que há certas coisas que são mais complicadas de se conseguir, como uma nova legislação que regulamente aumento de salário e outros benefícios, ou a aquisição de materiais caros (computadores, copiadoras, etc.). Mas a organização das atividades, a mudança de abordagem na operacionalização de algumas coisas é bem simples. Se até eu, que sou uma simples secretária, consigo montar uma porcaria de um diagrama de Gantt <> e meus colegas de trabalho, que são simples agentes de organização escolar, conseguem entender e cumprimos tudo, mesmo que com ressalvas por problemas no meio do caminho, por que nossos superiores não são capazes de uma coisa tão simples da gestão do que quer que seja, o PLANEJAMENTO?
Sei que este meu desabafo não mudará muita coisa e provavelmente muita gente deve estar com ódio de mim, por falar tanta “besteira”, me mandando pedir demissão se não gosto do meu emprego. Todavia eu não sou a única e os dados estão aí para quem quiser analisar. Em 2004, quando ingressei no cargo, eram oferecidas pouco mais de 2 mil vagas, ou seja, cerca de metade das escolas estaduais de São Paulo não tinham secretário efetivo. De lá para cá, vi muitos dos colegas que entraram pelo mesmo concurso que eu pedirem demissão para assumir outros empregos públicos (em geral, porque pagavam mais), ou mesmo para ir para a iniciativa privada. Vi até gente que se exonerou para ficar em casa porque o salário não pagava todo o nervoso que o emprego dava. Em 2009, houve outro ingresso e as mesmas 2 mil e tantas vagas estavam disponíveis de novo.
É para se pensar, por que razão um cargo público tem tanta rotatividade, num país onde o emprego formal é cada vez mais difícil. Por que tanta gente se esforça para conseguir uma dessas vagas e logo depois desiste dela?

Postado originalmente em http://fantasticomundodek.blogspot.com/2010/01/desabafo-de-uma-secretaria-de-escola.html

4 de jan de 2010

Pérolas da Educação: Processo de Promoção do QM - a face que ninguém vê

A seção "Pérolas da Educação" tem sua estreia com a primeira joia de 2010: o Processo de Promoção dos integrantes das Classes de Docentes - QM.
O Governador e o Secretário da Educação aparecem estufando o peito na TV, falando que os professores terão aumento de salário de acordo com o rendimento obtido em uma avaliação institucional. Como se aproximam as eleições de 2010, o Governo tenta acelerar o processo, abrindo inscrições no período ridículo de 29/12/2009 a 07/01/2010, sendo que as Escolas Estaduas fazem jus a período de recesso até o dia 03/01/2010, e como é sabido por todos, muitos professores - não são todos - não procuram se interar sobre tais informações.
A LC que cria tal promoção prevê alguns requisitos para o integrante do QM poder participar do processo. E qual a base de dados mais segura, para se verificar em nível central se o interessado atinge os requisitos? O Sistema PAEC/PAEF. Maaaaaaaaaaas, o sistema só possui dados totalmente consistentes a partir do ano de 2002.
Mediante isto, o DRHU cria no PAEC uma opção onde deve ser lançada toda a frequência do integrante do QM, no período de 1990 a 2001, visto que tais dados não estão na base de dados da SEE pois, segundo o próprio DRHU, a PRODESP armazenava tais dados deste período em discos, não mantendo tais dados on-line. Mas daí surge uam pergunta: se tais dados estão armazenados em discos, os mesmos não podem ser digitalizados / recuperados? Ou será que ficaria caro demais?
Claro que o Governo não vai querer arcar com estes custos, e resolve simplesmente passar a bola para o Secretário de Escola, dando um prazo ridículo para alimentar um sistema enorme e cheio de detalhes.
O fato de ter toda esta frequência on-line será ótimo para a facilitação de obtenção de dados rapidamente, mas no prazo que foi estipulado para alimentar o sistema, é humanamente impossível.
Esta é a face que nnguém vê. Depois aparecerão nos slogans de campanha presidencial e estadual do atual partido que governa SP que o Governo do Estado deu aumento salarial de acordo com o conhecimento do professor, que é um sistema justo, mas ninguém vai enxergar a face do cidadão que ficou 10, 12 horas sentado na frente de um computador com suas mãos inchadas para digitar uma informação que está toda armazenada de forma arcaica, e o governo prefere fazer com que um profissional passe por estafa físico e mental do que gastar com a modernização de tais dados.
Engraçado que em nenhum momento foi dito nada em relação à Promoção do QAE, ou aumento de salário gratificação, algo do gênero...
A Escravidão no Brasil já acabou. E como já disse em outro post, O que é impossível a gente ainda não faz, nem por determinação do Dirigente ou do DRHU.